Entregas Especiais – Capítulo 4 - Motel

Um conto erótico de Kamila Teles
Categoria: Heterossexual
Data: 10/09/2019 20:07:09
Última revisão: 11/09/2019 15:27:23
Nota -

Segunda-feira

O Edgar, meu patrão, combinou comigo de encontrá-lo em um restaurante. Cheguei depois dele, que já estava à uma mesa. Bancou o cavalheiro levantando-se e puxando uma cadeira para mim.

Aproveitamos para falarmos de assuntos que geralmente não entravam em pauta quando estávamos na loja. Como ele tinha mais experiência de vida e mais quilometragem, falamos dele quase o tempo todo.

Daisy se divertia ao perceber a mudança de comportamento do patrão quando sua mulher não estava presente. Até parecia que a dona era a mãe dele, uma mãe má e autoritária que intimidava e reprimia o menino com um simples olhar.

Na época em que o Edgar conheceu a Luana, ele acabara de receber o pedido de divórcio de Irene, sua ex-esposa e mãe de suas duas filhas, estava falido e sem a perspectiva de um futuro digno. O casamento com a Luana foi sua tábua de salvação.

Era um homem sem atrativos e de conversa monótona. Se não fosse o trabalho que lhe tomava quase todo o tempo, os seus dias seriam de um grande vazio existencial, já que sua vida afetiva com a mulher era uma rotina entediante. Sua postura era de inferioridade e conformismo perante a esposa que havia herdado os investimentos, o comércio e também a personalidade forte do pai. Ela era a dona do dinheiro e era quem mandava. Com um nível plus de obesidade ela não dava grande importância à aparência ou futilidades. Estava sempre buscando a possibilidade de ascensão material: “Possuir é mais importante que usufruir”, era o seu lema. Solidariedade e tolerância seriam atitudes que ela nunca entenderia. Essa era a patroa.

Após o almoço delicioso, fui com o Edgar para passarmos o restante da tarde em uma suíte adorável. Era minha primeira vez no interior de um motel, tudo era novidade. Não foi bem o que eu havia imaginado daquele tipo de comércio, quero dizer, não era tipo um ambiente que remetia a pecado com cama redonda, cores quentes e rodeado de espelhos. Parecia mais um quarto normal de casal com predominância de tom cerejeira e bege. Luxuoso, sim, mas com apenas um espelho no teto, sobre a cama. A parte que amei foi a hidromassagem. Sempre desejei deitar-me naquilo e relaxar esquecendo da vida.

Infelizmente o meu acompanhante não era a pessoa que eu gostaria que estivesse comigo naquele luxo. Suas atitudes também não combinavam com o ambiente tão convidativo e aconchegante. O patrão não foi nada romântico e muito apressado.; após alguns beijos e apertos em meu corpo, arrancou o meu vestido sem cerimônia, o mesmo que ele me dera para a tal ocasião. Apreciou por algumas frações de segundos o conjunto de lingerie que fazia parte do presente, para na sequência proferir sua expressão “poética“:

— Você está um puta de um tesãozinho vestida assim.

Seu próximo movimento foi induzir-me a ajoelhar para que abocanhasse seu pau. Permaneceu em pé, agarrado aos meus cabelos e forçando o negócio em minha garganta. Engasguei algumas vezes e tive ânsia de vômito. Ele percebeu que estava forçando a barra e que aquilo não ia prestar. Sugeriu terminamos de nos despir e irmos para a cama.

O Edgar deitou por detrás de mim, ergueu uma de minhas pernas e se acomodou por dentro delas. Com atitudes desprovidas de cuidados, penetrou minha boceta com rispidez. O homem estava se sentindo poderoso, com a mão em meu pescoço ele virava o meu rosto procurando minha boca com seus lábios, ou simplesmente segurava firme mantendo-me presa. O patrão queria dar a entender que eu estava em seu poder e que era ele quem mandava. E suas estocadas em meu sexo eram tão intensas que o desconforto trazia à tona os meus gemidos mais profundos. Em compensação, aquele sexo selvagem também proporcionou-me algum prazer.

O desempenho sexual do Edgar, que não era dos melhores, superou suas próprias expectativas na companhia da jovem amante. Em virtude dela estar dependendo momentaneamente dele. Isso interferiu positivamente na masculinidade do homem. Sua vida sexual com a atual esposa era um fracasso algumas vezes e sem tesão em outras, pelo fato dele se apequenar diante de mulheres independentes. O mesmo ocorreu em seu casamento de seis anos com Irene, sua ex. Conforme ela progredia em sua carreira, a dele regredia. Isso o afetou tanto profissionalmente quanto sexualmente.

Daisy percebeu nas entrelinhas dos comentários feitos pelo parceiro, que a química entre eles superou com folga as relações que o homem tivera com suas mulheres (atual e ex). Friamente começaria a tirar vantagem daquela relação enquanto o homem ainda curtia o seu momento de glória. Ela pediu sua ajuda para sair da pensão o quanto antes. Ele prometeu que resolveria o assunto nos próximos dias.

***

A garota entregadora esperou ansiosa pela sexta-feira e o provável terceiro encontro com o Augusto. No entanto, deu ruim, ele não fez contato. Esperançosa ainda aguardava pelo pedido no dia seguinte (sábado).

Quando ela estacionou o ciclomotor na entrada da loja ao voltar de uma entrega, um carro parou no meio fio e deu um toque de buzina; era o Augusto. Daisy já o havia reconhecido antes dele abrir o vidro do lado do passageiro e chamá-la. A buzina também chamou a atenção do patrão no interior da loja. O homem ficou à espreita como um animal que sente o seu domínio sendo ameaçado, principalmente quando a garota debruçou na janela do carro colocando cabeça e parte do tronco para o interior do veículo. Ainda tinha o agravante da bunda redondinha e arrebitada dentro de um jeans justíssimo que deixou alguns marmanjos babando naquela calçada.

— Não quis a entrega especial esta semana? — ela perguntou insinuante.

— Era tudo o que eu queria, mas vou falir se continuar assim.

— Não seja por isso, acabei de criar uma promoção só para você: pague por duas cestas especiais e ganhe a terceira grátis — ganha somente a parte especial, claro — ela gargalhou a seguir.

— Opa! Adorei esta promoção — ele falou com brilho no olhar — já paguei por duas, quando posso receber meu brinde? Poderia ser hoje à noite — ele sugeriu.

— Pra mim está ótimo, estamos combinados, hoje à noite eu levo seu brinde.

A novinha não se continha de felicidade, aquele trintão mexeu com seus sentimentos e isso estava mais que evidente. Somente ela é que achava que aquilo ainda era só um lance profissional.

Ela deu tchau e disse que tinha que voltar ao trabalho. O Augusto tentou beijá-la na boca, mas a jovem prudente, virou o rosto rapidamente e o beijo pegou na sua bochecha.

— Seu doido, aqui não! — ela sorriu e acariciou a mão dele — tchau, até depois.

Quando Daisy entrou na loja o Edgar estava espumando de ciúmes e raiva. Com cara de “eu que sou seu dono” ele disse:

— Mocinha, deixe para bater papo com os seus amigos depois do expediente!

Ela se desculpou e voltou ao trabalho. Ambos eram observados sorrateiramente pela patroa em outro canto da loja.

Mais tarde, em um momento a sós com o patrão, ela levou nova bronca do seu empregador e amante ciumento.

— Você precisa parar de se sentir ameaçado e me respeitar — zangou-se a menina — me ajudar a mudar você não ajuda, né?

***

A cena com o Augusto e a DR que tiveram na sequência surtiu efeito para a felicidade da jovem. O Edgar alugou, em caráter provisório, uma kitnet de um amigo. Pagou por um período de três meses adiantado, já que Deisy não poderia fazer um contrato. Ele também não, ou sua mulher saberia.

O fato da jovem amante não poder ser a titular do contrato de locação, fez o homem querer saber mais sobre a origem e relações da garota. Ele passou a pressioná-la. Encurralada ela inventou uma história de que foi agredida pelo pai policial que a pegou fazendo amor com um namorado. Ela fugiu de casa depois de o ferir gravemente, pois o pai violento jurou matá-la quando conseguisse pôr as mãos nela.

— Eu sabia que ele não havia falado da boca pra fora, eu tinha que sumir para bem longe e ficar invisível, por isso acabei chegando aqui — explicou Daisy tentando ser o mais convincente possível naquela mentira.

Enquanto isso, na UTI de um hospital do Rio Grande do Norte:

A família do prefeito comemorou quando o filho Paulo reagiu a estímulos após seu traumatismo craniano gravíssimo. Fizeram uma verdadeira festa quando ele saiu do coma profundo.

Sua primeira frase foi:

— Vou matar aquela vadia.

Continua Amanhã.

Capítulo anterior: Entregas Especiais – Capítulo 3 – Banho de Mangueira

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