O Enigmátigo Garoto Estrangeiro — Capítulo 11

Um conto erótico de H.F Ivanovich
Categoria: Homossexual
Data: 03/06/2018 16:40:25
Nota 10.00

Fui tão insuportável com minha avó depois que Felipe foi embora, que nem eu estava mais me aguentando. Não que ser desagradável a mim mesmo não fosse algo frequente, mas minha preocupação era tão grande que quis saber todos os detalhes que sucederam seu despertar naquele hospital, além de repreendê-la constantemente por ter saído do local sozinha sem sequer me ligar para que fosse busca-la. A dona de quase 90 anos repetia várias vezes que seu sangue era russo e que não havia necessidade de tanto drama por algo tão trivial. Sim, “trivial” era como ela descrevia o infarto, mas sabia que tinha aquele costume de fingir ser mais forte do que na verdade era para não me preocupar. A razão disso devia-se ao fato de eu ter herdado aquela característica irritante de senhora Polina e mesmo que tentasse ser convincente ao dizer que reagi bem ao seu quase óbito, desconfiava que a grisalha e esperta dona não engolira bem minha história, embora não transparecesse a ciência de eu estar a enrolando.

As coisas pareciam finalmente voltar a normalidade dentro de casa. O tumulto que envolveu o garoto que estudava comigo e a vizinha Maria, antiga amiga de minha avó, se dissipou e dona Polina Kruscheva pendurava-se no telefone da cozinha, avisando aos conhecidos sobre seu melhor estado de saúde.

Seu miocárdio realmente tinha me assustado e agora que estava sozinho em meu quarto, finalmente pude colocar alguns pensamentos em dia. Agora seria mais controlador com relação ao que vovó consumia em casa e procurava vilões que pudesse culpar. O mais chamativo era o álcool e embora não fosse tão presente assim na dieta da senhora, certamente me desagradava que ela ainda permanecesse adepta justo daquela tradição de seu país de origem.

Odiava doenças assim. Infarto era algo imprevisível, como o câncer que tirou minha mãe de mim. Se fosse pelo menos uma diabete, poderia ser tratado com insulina e tudo ficaria bem. Era como matemática. Uma substância combate a outra, 1+1 era igual a 2 e não importava o que os relativistas dissessem para contrariar isso. Agora câncer são dados, assim como infarto do miocárdio. A qualquer momento podia acontecer de novo se eu não estivesse atento e assim, tudo que amava viria a terra. Comecei a cogitar a possibilidade de algo ruim também me atingir e era uma preocupação razoável. Não havia momento no dia em que alguma substância sintética não estivesse presente em meu sangue e isso deveria ter alguma consequência em um futuro não muito distante.

Se eu morrer, perco tudo também. Concluí, pois minha avó não suportaria algo assim e novamente percebi que nem sequer podia inferir essa característica a ela, pois idosos são eventos aleatórios. Um dia estão bem e no outro podem partir para nunca mais voltar. Comecei a ouvir um barulho vindo de minha cabeça que formava um irritante tilintar de moedas. Provavelmente, os deuses continuam fazendo suas apostas. Pensei, até que percebi o que estava acontecendo. Já passou da hora de tomar meu ansiolítico. Comentei em meio ao ruído imaginário que e mandei a substância para dentro, esperando que 1+1 não fossem 3 e que as divindades voltassem para o tumulo de onde nunca deveriam ter saído.

Era comum que eu sentasse em minha cama e passasse algum tempo refletindo. Pudera, pois já havia sido corrompido por tanta filosofia, que tudo que testemunhava já dava início a uma longa questão. Entretanto, não apenas em minha avó e nos conceitos da moral kantiana roubavam meus pensamentos, mas Felipe também. Parecia apenas uma onda em meio ao mar de informações que se agitava em minha cabeça, mas tirava totalmente meu foco.

Não deveria perder tempo com aquilo e estava decidido a voltar à normalidade o mais breve possível, por isso não passei o final de minha tarde da forma perfeitamente programada como fazia com frequência. Acabei sucintamente trazendo de volta a memória do dia em que Felipe e eu fizemos o trabalho de sociologia juntos, mais especificamente o momento no qual meu celular tentou me avisar que chegara a hora de dar continuidade a minha obsessão, que religiosamente subtraia partes de meus dias, sempre naquele horário específico. Felizmente, ele não percebeu. Disse a mim mesmo. E não teria como, pois meus dados a respeito daquilo estavam todos escritos em meu idioma nativo, algo que começara com uma precaução besta e exagerada, agora se fazia útil, já que excepcionalmente comecei a me relacionar com outro ser humano.

O alemão era como um código para mim, algo que, embora fosse interpretável por qualquer pessoa alfabetiza em meu pais de origem, tornou-se uma linguagem que só eu compreendia em terras tão distantes. Solidão e seus benefícios. Pensei com um sarcasmo minimamente cruel, enquanto olhava para a caixa de ansiolíticos banhada pela escuridão e o inferno descrito por Jean Paul Sartre vinha a minha cabeça, embasando aqueles pensamentos destrutivos. Minha noite não será curta nesse ritmo. Pensei, antes de mais um devaneio noturno me banhar naquela torrente de conexões nervosas.

Remédios para dormir são uma aposta. E felizmente, a droga para ansiedade não me deixava mais lembrar das doenças que também eram. Dizia isto pois era comum que algo me tirasse o sono e eu tivesse de entrar nesse cassino fisiológico. Se o medicamento cumprisse seu objetivo, a insônia não era mais problema naquela noite, caso contrário não pregaria os olhos e iria para a escola em estado muito pior do que se simplesmente tivesse passado a noite em claro sem rolar aqueles dados de bioquímica.

Mas o que está me tirando o sono mesmo? Perguntei-me enquanto olhava para a sombra da estante em meu quarto. Ah é: Felipe Versalhes. Acabei lembrando e um sorriso involuntário apareceu em minha boca, logo em seguida, veio o amargor da vergonha. Me recordei de tudo que levara a aquela conjuntura de eventos, que me faziam ter sensações tão incomuns.

Lembro-me quando estava no hospital. Já era mais de 20:00 e olhava por uma parede envidraçada minha avó deitada em uma cama de hospital. Ela dormia e médicos entravam e saiam do local enquanto esperava pelo pior e controlava minhas pálpebras pesadas. Na realidade, a àquela hora, controlar a força esmagadora que se formava em meus ombros já era se tornara quase impossível. Ouvia zumbidos e vozes indistinguíveis em minha cabeça ao mesmo tempo em que percebia que não conseguia controlar aquilo, independente de quantos daqueles comprimidos tomasse.

Estava apenas com uma caixa de remédios que só tinha posse pois momento em que minha avó começou a passar mal coincidiu com o horário daquele medicamento. Não existe destino, assim como não era difícil que algo assim acontecesse, pois ingeria aquelas coisas aproximadamente 12 vezes por dia. O problema é que a natureza não pode ser enganada e minha mente era o maior desastre natural que já conheci, sendo assim, sintomas tanto da falta quanto do excesso começaram a se manifestar nos corredores daquele pronto-socorro.

Para acalmar meus demônios, pensei ser uma boa ideia ir para o lado de fora tomar um ar, e enquanto andava pelo local, procurando saída, notei que algumas pessoas olhavam para mim. As vozes internas e comentários dos que provavelmente só estavam intrigados em como meu rosto tremia enquanto caminhava desajeitado, se misturaram desencadeando uma antiga lembrança.

Eu era criança de novo e recém-chegado naquele país estrangeiro. Não era fácil encontrar uma escola no meio do ano para um imigrante e eu e minha avó tivemos de nos contentar com uma instituição não muito renomada ou apta para me receber, para dizer o mínimo. No primeiro dia de aula, tentei parecer tranquilo, pois não queria que a vovó ficasse preocupada depois da tragédia que antecedera aqueles dias. Sendo assim, no momento em que a professora pediu que nos apresentássemos, disse com um fingido entusiasmo:

— Me chamo Alexey.

Apenas não era suficiente que tentasse ser simpático, pois forte sotaque foi motivo para que ouvisse as altas risadas de toda a classe de crianças do fundamental. A tia tentou voltar a ordem e perguntou de onde eu era, mas a resposta também desencadeou mais zombarias coletivas. Lembrei da minha antiga escola na Alemanha e da minha mãe que me levava todos os dias para lá enquanto meus olhos começavam a se encher de lagrimas apenas com a memória do beijo que dava em minha testa.

— Ele está chorando! — Gritou uma menina fazendo com que todos olhassem para mim e meu sofrimento só se tornava outro motivo para a humilhação.

Assim se passou esses anos de minha infância. Tudo que dissesse podia ser usado contra mim de alguma forma e as notas que antes eram motivo de exaltação se tornaram mais razões para a perseguição. Apanhei várias vezes sem ter feito nada e menos ainda era considerado para me ajudar. O episódio que agora me vinha a cabeça ocorreu no pátio daquela instituição de educação básica em que um garoto 2 anos mais velho que eu vociferava ser detentor de meu estojo de lápis.

Não era um objeto comum. E eu o pedi para minha avó pois gostava de desenhar e, tal qual minha mãe, queria ter o conjunto de ferramentas adequadas para tal. Embora fosse apenas uma porção comum de lápis de cor, aquilo me deixava feliz ao ponto de finalmente reagir as ameaças que o alto garoto proferia a mim.

— Vai me dar ou quer apanhar? — Dizia ele com desdém. E estava acompanhado. Eles sempre andavam acompanhados. Era quase que uma utilização estratégica do efeito manada, pois se a confusão envolvesse várias pessoas, dificilmente aparecia um culpado.

Ao som de minha negação, não demorou muito para que partissem para cima de mim e em um instante, lápis, cadernos e minha cópia de Crime e Castigo estavam no chão, assim como eu. Não me lembro de quantos chutes levei, apenas da desolação que foi andar pelos corredores coberto de terra e com aquele gosto de sangue na boca enquanto as outras crianças olhavam e riam.

Resultado? Advertência para todos os envolvidos, tendo eu como incluso pelo número de testemunhas alegando que havia começado a briga. Minha avó tentou de tudo para me fazer dizer a ela o que tinha acontecido, devido a forma como cheguei em casa, mas simplesmente não queria falar a respeito. O presente agora estava quase que completamente destruído, com cores faltando e caixa amaçada, mas não a preocupei e me contentei com o fato de minhas obras nunca mais conhecerem o vermelho e o azul.

As pessoas simplesmente eram assim. Nós pedimos justiça aos céus que nos olham com indiferença e desprezo, assim como as pessoas naquele hospital visualizavam o estranho garoto cambaleando procurando saída. Bem e mal não existem, Alexey. Disse a mim mesmo até que senti a chuva em minha pele.

Não gostava muito daquilo. Foi em uma tempestade como aquela que minha mãe faleceu e agora, a ironia divina mostrava-se bem afiada, pois minha avó deixaria o mundo da mesma forma.

Algumas pessoas podem dizer que chorar na chuva é eficaz, pois as lagrimas que saem dos olhos não se distinguem da água que deixa as nuvens, mas não sou esse tipo de pessoa. Minha avó podia morrer, mas não me curvaria a aquele mundo jamais. Era uma pirraça besta, de uma criança com frio que pensava que como havia sido maltratada a vida inteira, não daria a própria realidade o gosto de sentir suas emoções. Assim pensava, ainda ouvindo o irritante zumbido que parecia ofuscar o barulho da tempestade, quando notei outro irritante barulho e vi o que estava a minha esquerda.

— Felipe? — Perguntei. E era uma dúvida sincera, pois minha visão parecia tão manchada que não conseguia mais reconhecer o rosto daquele garoto.

Lembrar daquele incidente na portaria do hospital era lembrar da segunda-feira em que briguei com Felipe. Minha avó estava doente em casa e acho que acabei descontando a raiva nele. Se o mundo não tinha misericórdia de mim, não tinha porque ter de qualquer pessoa. Foi o que pensei quando achei que Felipe me defenderia frente a Aghata, Camila e a professora, mas seu silêncio só me fez concluir que mais uma decepção eclodiria daquilo, me machucando tal qual todas as outras experiências que tive com outras pessoas.

No fim das contas, estava sentado no escuro de meu quarto tão arrependido pelas coisas cruéis que proferi a ponto de ter pedido desculpas para ele. Aquilo era estranho, pois não mais me preocupava com a imagem que as pessoas geralmente tinham de mim, no entanto, me senti na obrigação de agradecer a Felipe por ter sido tão atencioso comigo.

Conseguia me recordar do dia em que falei com ele pela primeira vez. Estava executando meu comportamento de rotina e não dei nada por aquele garoto. Ele era bonito, alto e não me passava nenhuma ideia da quão incrível era. Só desenvolvi alguma expectativa quando percebi o entusiasmo com o qual decidiu fazer o trabalho de sociologia com antecedência e depois fui maravilhosamente surpreendido por sua mente. Ele escrevia melhor do que pensava ser possível e logo estávamos cooperando enquanto eu ouvia suas ponderações e me forçava a tentar impressioná-lo com minhas sugestões.

Me perguntei o que pensava de mim agora. O deixei me ver chorar e agora estava constrangido sozinho lembrando do quão debilitado estava. Ele me vestiu e fez comida para mim, que estava tão desesperado que nem conseguia pensar direito no quão patético eu estava. Meu rosto só esquentava a medida em que revivia aquelas memórias. Minha cabeça na noite anterior era um furacão barulhento e insuportável, de tal forma que quando faltou luz, me senti uma criança assustada, da mesma forma como estava quando achei minha mãe caída no chão em outra noite terrível de minha infância.

Sem dúvidas a lembrança que mais chamava minha atenção, foi o momento em que Felipe ficou colado comigo no chão da cozinha. A essa altura, a medicação já estava fazendo algum efeito e eu já começava a recuperar meu estado normal de consciência, o que eliminou qualquer desculpa que pudesse dar a mim mesmo. Eu ia beijar ele... Pensei, com as mãos no rosto e lembrei de como o encarava. Seu rosto estava tão lindo, iluminado pela fraca luz da noite que respingava em seus olhos escuros. A face daquele garoto de visão focada ficou tão perto da minha que pude analisar cada detalhe de sua constituição, aquele princípio de barba clarinha e lábios levemente carnudos que se aproximavam cada vez mais.

Estava sozinho, mas com o rosto quente e provavelmente vermelho, pensando em como encará-lo na escola no dia seguinte. Não sabia bem o porquê, mas fiz carinho por debaixo de sua camiseta, sentindo a pele quente de Felipe. Ele deve ter ficado tão desconfortável com aquilo. Pensei, sendo punido pela memória e concluí que só tinha deixado que as coisas fossem tão longe pois devia estar com pena de mim.

Eu, Alexey Heidegger. Digno de pena. Disse a mim mesmo, me punindo por aquilo. Havia ficado tão indefeso e torturado pelas minhas memórias que abandonei a razão ao receber o menor ato de carinho daquele menino, que agora devia estar pensando a maior sorte de coisas ao meu respeito. Teria sido meu primeiro beijo, uma experiência que pensei ter renunciado à muito tempo, por não me dar bem com as outras pessoas. Certamente não estava bem resolvido nessas questões, mas não esperava que um dia ficaria tão inclinado a ficar com alguém do mesmo sexo que eu. Senti o sono finalmente vir e tentei arrumar algum pensamento para me acalmar antes de me entregar para a escuridão.

Você não é assim Alexey. Sussurrei para mim mesmo. Certamente estava sob influência das circunstâncias. Concluí. E era verdade. Só podia ser. E adormeci martelando essas palavras em minha cabeça. Eu não era um adolescente normal. Não sobrevivi para isso.

*****

Andava pelos corredores do colégio em direção a sala de aula. Eu sempre tinha a impressão, enquanto passava pelos lugares, de que as pessoas faziam comentários maldosos a meu respeito. Meu psiquiatra tentara me convencer inúmeras vezes de que aquilo era coisa da minha cabeça, e embora inclinado a concordar, uma parte de mim tinha certeza de que aquele lado cruel da humanidade era real. Não que eu desse qualquer atenção, pois era mais difícil permanecer focado com os pensamentos terríveis que frequentemente vinham a minha mente.

Eu tinha uma pequena tarefa para executar, que me trazia um pouco de ansiedade. Era frequente que eu e minha avó fizéssemos alguma coisa no fim de semana lá em casa para quebrar a rotina e ela não parava de me pedir que chamasse Felipe para vir sábado lá em casa. Dona Polina tinha realmente gostado do menino, e como gostava de sua companhia, acabei aceitando entregar o convite.

Quando entrei no local, vi mediocridade, como sempre. Seres humanos patéticos, escravos de sua biologia, provavelmente falando acerca de qualquer coisa que seus hormônios mandassem. A única categoria de pessoas pior do que crianças eram certamente os adolescentes. Viviam se preocupando com futilidades, como saber quem ficou com quem ou o que aconteceu no mundo das fofocas de celebridades. Gastam o tempo, algo tão irredutivelmente passageiro, com o tipo mais perverso de coisas, sem procurar em nenhum momento qualquer coisa que os engrandeça pessoalmente ou que traga alegria a alguém com quem se importem. Certamente, cada um daqueles indivíduos desprezíveis achava que o mundo gravitava em torno de si, sendo demais esperar que, em sua injustificável vaidade, soubessem o que era o sentimento de querer dar a própria vida para salvar quem ama. Vocês todos deviam ter infartado, e não minha avó! Pensei com desprezo, até que vi aquele rosto em meio a tanta podridão.

Felipe estava sentado em seu lugar, conversando com suas duas amigas. Ele era tão sociável que me fazia sentir um pouco de inveja, pela aura antipática que eu sempre exalava quando chegava em qualquer ambiente. Só dei alguns passos e nossos olhos se encontraram, o que disparou nele um sorriso. Me esforcei para não desviar o rosto e o respondi da mesma forma, só que com mais brevidade e fui para minha cadeira. Merda, por que tem que ser tão legal? Me perguntei quando percebi que não demorou para que ele viesse a mim com aquela expressão alegre que quase cortava minha respiração. Ao se sentar perto de mim, disse:

— Bom dia.

A forma como falava era ora acelerada e ora lenta demais. Felipe tinha uma voz doce, não muito grossa, embora mais máscula que a minha e com alguns bagunçados picos de entonação. Eu estranhamente achava aquilo fofo nele.

— Bom dia. — Respondi normalmente, procurando não demonstrar um nervosismo chato que me assolava.

Ele então desenrolou a conversa, como sempre fazia. Felipe as vezes falava demais, mas eu gostava de ouvi-lo. Ele perguntou como eu e minha avó estávamos, demonstrando aquela preocupação fofa de sempre. Tendo aqueles olhos observadores sobre mim, me esforcei para lançar a proposta a ele em meio ao assunto e havia me encontrado começando a ficar tímido de novo.

— Minha avó tem falado de você lá em casa. — Introduzi, tentando manter o controle.

O garoto coçou a cabeça, passando os dedos naquele cabelo ondulado castanho claro e pareceu surpreso com minhas palavras. Eu então continuei, aparentando despretensão:

— Ela quer que você vá jantar lá em casa no sábado.

Felipe ficou em silêncio por alguns segundos. O que me fez pensar em como me sentia com aquilo. Eu que não media minhas palavras antes de falar um “não”, agora estava com medo escutar aquela palavra dele. E antes que pudesse completar com algo do tipo “ Mas não precisa ir se estiver ocupado”, o garoto respondeu:

— Ok. Eu vou.

Um sorriso escorregou de meus lábios. Droga. Pensei quando já era tarde demais. Aquele menino percebia tudo. Tinha olhos observadores e não perdia um detalhe sequer, o que notei quando retribuiu o gesto. Seu sorriso era tão bonito que me fazia ter vergonha do meu. Felipe tinha dentes brancos e perfeitos, enquanto eu possuía aquela arcada corroída e amarelada pelos remédios que tomava. Minha avó vivia dizendo que se tratava de algo imperceptível, mas com certeza não seria por aquele menino, que sempre me observava, fazendo parecer que me julgava com os olhos, como todo mundo sempre fez. Continuei tentando ser indiferente ao constrangimento que minha aparência trazia a mim enquanto permanecemos falando um com o outro até que começou a primeira aula.

Era mais desgastante do que o normal prestar atenção no conteúdo que o professor apresentava, ao mesmo tempo em que pensava naquele lindo sorriso de Felipe, mas minha atenção já se atestara inabalável, pois não me deixei levar e consegui obter meu estado de concentração. Não demorou muito para que o intervalo chegasse, trazendo com ele o professor Roger, que entrou no local com pressa, levando Felipe e eu para a sala dos professores. Aquilo era normal para mim. As vezes falava com aquele biólogo que era tido como carrasco por outros alunos e ele me apresentava coisas bem legais sobre o estudo da vida. Ele também parecia gostar de minha companhia, mas o que não entendia era a necessidade da presença de Felipe Versalhes naquela conversa e o porquê daquele homem estar com tanta pressa.

Olhei para o garoto que era guiado pelo professor junto comigo e notei que em seu rosto havia uma expressão de espanto. Tentei ativar meus neurônios para decifrar aquela situação e possibilidades inundaram minha cabeça. Acabei concluindo o obvio: Aquilo tinha a ver com o trabalho de sociologia. Felipe era realmente incrível e finalmente havia sido notado pelos educadores daquele lugar, que provavelmente leram o que escreveu. Ele provavelmente não concluiu a mesma coisa. Pensei, ao notar que havia desespero estampado em sua face

Quando sentamos naquele sofá que já me era familiar, percebi que Shirley também estava presente, motivo para que me vangloriasse mentalmente de ter adivinhado o motivo daquilo, mas algo chamou minha atenção: A presença do professor de física que também demonstrava interesse naquilo, pela forma rápida a qual apanhou duas cadeiras e colocaram em nossa frente para que ele e a socióloga se sentassem. Roger então perguntou a Felipe:

— Então, avisou ele?

Os ombros do rapaz se encolheram e o severo professor de biologia já começou a olhar para ele com um olhar de reprovação. Ao perceber o que estava acontecendo ali, disse de imediato, tentando ser convincente:

— Claro que avisou.

Improviso não era meu forte, embora tivesse o raciocínio rápido o suficiente para perceber que Felipe tinha esquecido de me dizer algo e que precisava defende-lo. É o normal a se fazer. Disse a mim mesmo, tentando colocar razão nas coisas que fazia. E concluí que não era apenas uma desculpa para mim mesmo, quando lembrei das coisas que aquele garoto intimidado pela carranca do professor havia feito por mim.

— E vocês aceitam participar disso conosco? — Perguntou rapidamente Shirley que parecia muito empolgada.

Olhei para Moses e ele estava apreensivo como a socióloga. Senti a mão de Felipe encostar em meu braço e o ouvi dizer meu nome bem baixo, como se estivesse me pedindo para não levar aquela mentira adiante. Entretanto, o que estava feito estava feito e calmamente respondi a todos, mascarando o desespero de querer saber o que se passava:

— Claro. Seria um prazer.

Shirley foi a primeira a comemorar minha resposta, enquanto professor Moses chaquoalhava minha mão em um aperto forte e feliz dizendo que não iriamos nos arrepender. Em seguida fez o mesmo com Felipe e ouvi Roger Santos dizer:

— Sabia que não nos desapontariam, mas sabem que serão 6 meses bem duros, não é?

Dendritos e terminais de axônios pareciam reagir a aquilo, o que me forneceu um rápido estalo mental. Espera. Um semestre? Me perguntei e rapidamente veio à minha cabeça o único projeto que tradicionalmente ocorria após esse tempo: A feira de ciências municipal. Senti minhas pernas tremerem um pouco, pois agora estava preso a Felipe por pelo menos aquele longo período de tempo, em que teríamos de trabalhar juntos novamente. Olhei para ele, que me encarou com espanto e depois não conseguiu segurar sua risada, enquanto a professora de sociologia comemorava escandalosamente.

Felipe parecia alegre, fazendo aquele som que era música em meio a aquela barulheira da sala dos professores que, com aquilo, se aproximava bastante de uma turma de alunos bagunceiros. Apenas sorri de volta para ele, da forma contida como aprendera a fazer durante toda a minha vida. Eu precisava ser assim. Sou apenas precaução e pragmatismo.

Comentários

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25/07/2018 17:40:29
Ansioso.
24/07/2018 04:17:53
MUDOU O NARRADOR. MUDOU A NARRATIVA. MUDOU A DINÂMICA. ÓTIMO
09/06/2018 14:32:11
Excelente como sempre! Adorei ouvir a narrativa a partir da visão do Alexie rsrs S2
05/06/2018 17:35:12
Ssensacional! Ansioso pelo próximo! Parabéns pela escrita!
05/06/2018 04:39:47
Cada vez melhor, continua por favor.
05/06/2018 02:06:53
Obrigado pelos comentários :). Estou em busca de uma cronicidade para postar a história, então aviso que os capítulos serão disponibilizados para a leitura todo o domingo.
04/06/2018 00:38:01
Continue logo
03/06/2018 22:47:38
Por favor continue este conto, adorando muito.
03/06/2018 19:09:28
Você escreve muito bem. Por favor, não deixa de continuar. Adorei o episódio e sou fã do conto!

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